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Hipertensão: o que seus exames podem estar tentando lhe dizer?

Na semana do Dia Mundial de Combate à Hipertensão, precisamos falar sobre um dos maiores desafios dessa condição: o seu silêncio. Conhecida como uma “doença silenciosa”, a pressão alta muitas vezes não apresenta sintomas evidentes, mesmo quando já está aumentando o risco para o coração, os rins, o cérebro e os vasos sanguíneos.

Mas você sabia que a hipertensão pode estar associada a outras alterações importantes, como diabetes, colesterol elevado e problemas renais? De acordo com as diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), a prevenção das complicações passa por medir a pressão regularmente, acompanhar os fatores de risco e interpretar corretamente os exames de rotina.

A conexão entre hipertensão e exames alterados

Quando a pressão arterial permanece elevada por muito tempo, ela pode sobrecarregar os vasos sanguíneos e contribuir para lesões em órgãos importantes, como rins, coração, cérebro e olhos. Por isso, alguns exames simples ajudam o médico a avaliar se há sinais de risco ou de lesão silenciosa.

1. Glicemia e hemoglobina glicada

Hipertensão e diabetes frequentemente aparecem juntas no contexto do risco cardiovascular e da síndrome metabólica. A glicose elevada pode contribuir para danos nos vasos sanguíneos, aumentando o risco de complicações cardíacas, renais e circulatórias.

Por isso, exames como glicemia de jejum e hemoglobina glicada são importantes no acompanhamento de pacientes com pressão alta, especialmente quando há histórico familiar, excesso de peso ou outros fatores de risco.

2. Creatinina, ureia e função dos rins

Os rins têm papel essencial no controle da pressão e na filtragem do sangue. Quando há hipertensão por muito tempo sem controle, pode ocorrer sobrecarga nos pequenos vasos renais.

A creatinina e a ureia ajudam a avaliar a função renal, mas precisam ser interpretadas pelo médico junto com outros dados, como a taxa de filtração glomerular estimada (TFGe/RFG-e) e o exame de urina. Alterações nesses exames não significam, sozinhas, que a causa é a hipertensão, mas servem como sinal de alerta para investigação.

3. Parcial de urina/EAS e albuminúria

O exame de urina pode mostrar alterações importantes antes mesmo de mudanças maiores na função renal. A presença de proteína na urina, chamada de proteinúria, ou o aumento de albumina, chamado de albuminúria, pode indicar que os filtros dos rins estão sendo afetados.

Em muitos casos, o médico pode solicitar exames mais específicos, como a relação albuminúria/creatininúria (RAC), que ajuda a avaliar melhor o risco renal e cardiovascular.

Sintomas: não espere sentir algo para medir a pressão

Um erro comum é esperar dor de cabeça, tontura ou mal-estar para verificar a pressão. A hipertensão, na maioria das vezes, não causa sintomas nas fases iniciais. Por isso, medir a pressão regularmente é a forma mais segura de identificar o problema.

Alguns sinais podem aparecer quando a pressão está muito elevada ou quando já existe alguma complicação, como:

• dor no peito;
• falta de ar;
• dor de cabeça forte;
• tontura intensa;
• visão embaçada;
• sangramento nasal sem causa aparente;
• fraqueza ou alteração de força em um lado do corpo.

Sede excessiva e vontade frequente de urinar não são sintomas típicos da hipertensão, mas podem ser sinais de alteração da glicose e devem ser avaliados, principalmente quando aparecem junto com cansaço, perda de peso inexplicada ou histórico familiar de diabetes.

Quando agir?

Não espere sintomas graves. Se houver dor no peito, falta de ar súbita, dor de cabeça muito forte e repentina, confusão mental, desmaio, alteração na fala ou fraqueza em um lado do corpo, procure atendimento de urgência imediatamente.

Também é importante procurar orientação médica se você notar cansaço fora do habitual, visão turva, aumento da frequência urinária, sede excessiva ou exames alterados.

Prevenção é o melhor tratamento

Controlar o peso, reduzir o consumo de sal, praticar atividade física, evitar o tabagismo, moderar o consumo de álcool e manter os exames em dia são atitudes fundamentais para proteger o coração, os rins e a saúde como um todo.

A pressão considerada ótima fica abaixo de 120/80 mmHg, mas o diagnóstico de hipertensão não deve ser feito com uma única medida isolada. A confirmação deve considerar medições repetidas, avaliação médica e, quando indicado, medidas fora do consultório, como MAPA ou MRPA.

No Dia Mundial de Combate à Hipertensão, o recado é claro: não subestime o silêncio da doença. Informação, acompanhamento e prevenção salvam vidas.

Quando foi a última vez que você fez um check-up completo?
Cuide-se hoje e não deixe sua saúde para depois.

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